sábado, 27 de junho de 2009

Às Mulheres de Teerã


Lindas
apaixonadas
pela liberdade que insistem
em perseguir.
Embaixo do véu
Acima do proibido
do interdito
Caladas
Sufocadas
Resurgem rainhas
meninas assustadas
cheias de coragem
Viço de vida
Traço de esperança
Vontade não vivida
Vida perdida
Agora,
Neda Agha Soltan
Lidera
Inspira
Soergue
As belas maravilhas
do intercépto do mundo
Ensaiando a voz
Para tornarem-se
Mulheres
e não apenas mulheres

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tanto faz....

Aquela era mais uma tarde no final do turno escolar. Ele estava no chão, ali, no canto da sala; repetindo o seu ritual diário de autocomiseração. As outras crianças olhavam emudecidas, pálidas, num misto de pena e temor.
Na minha frente, sentado à mesa, estava um menino doce, de feições agradáveis, olhar cabisbaixo e uma certa aura de desproteção. O que me era familiar.
Mesmo após a conversa com a mãe não teria a dimensão do tamanho da rejeição por que passava aquela frágil criatura. Só quando o pai adentrou o consultório pude ter noção do peso exato que aquela criança carregava diante da situação.
As crianças já estavam habituadas às suas 'crises' constantes. Apesar delas, com sabedoria divina, o acolhiam sempre com carinho, e nos momentos de descontração dançavam com a espontaneidade da inocência e o tomavam para as brincadeiras de menino de sua idade. As tarefas nunca copiadas eram lançadas violentamente contra o chão diante do confronto com a triste constatação de que nada fizera. Não havia por quê fazer ou para quem fazer. Sua vida continuava parada na mesma página em branco esperando um pouco de amor para desenhá-la.
Era um menino de poucas palavras. Antes de responder às minhas perguntas, insinuava os olhos para a mãe, que sentada na cadeira ao lado permitia-lhe a palavra. Tímido, aceitou papel e giz para desenhar mesmo depois de lhe dar a opção de brincar com a massinha de modelar respondeu com um 'tanto faz' acuado.
Na folha desenhou primeiro a si, no centro do papel, de um lado a mãe , do outro o pai, todos soltos no branco profundo do papel ; o desenho com tamanha clareza e simplicidade prenunciava a situação : todos ali estavam sem chão.
A resposta, não sei. O diagnóstico menos ainda. Apesar dos relatos de constantes oscilações em seu humor, a mim não se apresentou doença alguma como as descritas nos manuais de psiquiatria. O que não me calou aos olhos foi o grande mal que assombra, destrói e entorpece; que mora ao lado, por vezes em nosso próprio coração. A doença da indiferença ou falta de amor ou tanto faz...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Maria Callas







Callas Forever



Nascida Maria Anna Sofia Cecilia Kalogeropoulos (2/12/1923-16/09/1977), Callas era filha de imigrantes gregos radicados em Nova Iorque, mas devido dificuldades financeiras regressou à Grécia com a mãe aos 14 anos, estudanto canto no Conservatório de Atenas.
Callas faleceu apenas um ano antes que eu viesse ao mundo; escuto sua voz triunfal e lamento não ter tido a dádiva de contemplá-la ao vivo. Se um gênio da lâmpada me concedesse 3 desejos, um deles certamente seria assistir, no Scala de Milão, a maior de todas as Divas.
Como não pude esperar até amanhã, ontem ganhei de presente uma coletânia em CD duplo das principais áreas de óperas interpretadas pela Diva. Dormi nas nuvens embalada por sua voz divina, e acordei com a dúvida: o que fez aquele grego rico trocá-la por uma ex-primeira dama?
O drama não acompanhou Maria apenas nos palcos, sua vida foi recheada de paixões, decepções, sucessos e fracassos. Além de uma figura pública imponente e polêmica, Callas abraçou sua vida com a mesma paixão que cantava, permitiu-se errar, amar, sofrer, cantar.. e retitrou-se quando lhe aprouve. Sua voz marca uma época de resgate do glamour das Óperas, lembrou ao público o que significava estar diante de uma Diva. Aliás A Diva. Não houve, não há e ouso profetizar que não haverá voz como a dela. Diante de Deus e como a Madonna mor, Callas nos presenteou também com o divino, o sublime e com o seu inexplicável talento, que só pode ser tocado com a chama do eterno.
Viva Callas! Pra sempre em nossos humildes ouvidos e corações...

domingo, 7 de junho de 2009

Motivos para Correr

A corrida entrou na minha vida através de um apaixonado por correr, por superação e desafios, além é claro de ser disciplinadíssimo: não há como ganhar resistência física sem muita disciplina. Minha prática, sempre bem próxima ao lazer, deixava muito a desejar comparada a de um amador profissional. Mesmo assim não desanimei. No início comecei correndo 1 min descansando 2, depois corria 2 e descansava 1; não sei ao certo quando mas um belo dia já aguentava 5, 10, 15 min. Uau! Que maravilha chegar onde nunca se havia estado, superar o intrasponível, mesmo que seja só mais 1 min de corrida leve. Como uma aficcionada por mar e nadar até que não me saí mal. Hoje consigo correr até 40 min de um trote leve, porém com técnica apurada (graças ao meu treinador particular), corro 1 vez por semana, no máximo 2, mas tenho conseguido manter o rítmo e melhor ainda o gosto pela corrida. Hoje mais ainda : ao final de uma corrida leve de domingo ameno, me olhei no espelho e descobri que correr deixa a pele um espetáculo!

Borboletas


Este texto chegou até mim em um e-mail daqueles que todo mundo 'adora' receber. Nele não havia crédito de autoria, mesmo assim, com a licença imaginária de seu autor, tomo a liberdade de compartilhá-lo.

"Muitas vezes, passamos um longo tempo de nossas vidas correndo desesperadamente atrás de algo que desejamos, seja um grande amor, um emprego, uma verdadeira amizade, uma casa, etc... Muitas vezes, a vida usa símbolos, acontecimentos que são sinais para que possamos entender que, antes de merecermos aquilo que desejamos, precisamos aprender algo de importante, precisamos estar prontos e maduros pra viver determinadas situações. Se isso está acontecendo na sua vida, pare e reflita sobre a seguinte frase: "não corra atrás das borboletas. Cuide de seu jardim e elas virão até você!" Devemos compreender que a vida segue seu fluxo e que esse fluxo é perfeito. Tudo acontece no seu devido tempo. Nós, seres humanos, é que nos tornamos ansiosos e estamos constantemente querendo "empurrar o rio". O rio vai sozinho, obedecendo o ritmo da natureza. Se passarmos todo o tempo desejando as borboletas e reclamando porque elas não se aproximam da gente, mas vivem no jardim do nosso vizinho, elas realmente não virão. Mas se nos dedicarmos a cuidar de "nosso" jardim, a transformar o nosso espaço (a nossa vida) num ambiente agradável, perfumado e bonito, será inevitável... As borboletas virão até nós!! Dê o que você tem de melhor e a vida lhe retribuirá...!!!"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dança Indiana


A dança indiana entrou em minha vida através de um concerto da Orquestra Indiana de Cordas em 2004. Lá conheci a minha professora de dança, Suzane Travassos, além dos seus múltiplos talentos, ela toca o citar. Pouco tempo depois conheci sua escola de dança e me apaixonei pela Dança Clássica Indiana em uma apresentação de alunas de sua escola. Mal sabia eu que nas próximas apresentações eu estaria lá no palco com elas!
Existem 7 estilos de Dança Clássica Indiana. Eu praticava 3 deles: o Katak, o Barathanathian e o Odissi. O Katak é uma dança típica do norte da Índia , e é a dança que deu origem à dança flamenca, que como as danças da Índia varia conforme a região em que é praticada. Ela é leve, rítimica, cheia de giros e movimento. O Barathanathian trata-se de uma dança do sul da Índia, onde a propósito diz-se que é a verdadeira Índia, não tão repleta da influência muçulmana. Para esta dança é preciso muita força nos pés e resistência(Eu é que o diga, fiz uma fratura por estresse no pé), além é claro de boa flexibilidade nos joelhos e força nos braços também. O Odissi , a minha preferida, é um estilo típico da região de Orissa, leste da Índia. Ela é doce, sinuosa, cheia de delicadeza e feminilidade. Suave, diria quase divina.