sexta-feira, 9 de julho de 2010

FIO

Ando muito
Rio tanto
Choro bastante.

Durmo pouco
Acordo de susto.

De repente levanto
estou no diálogo sem fim do meu pensamento

Agora
Quero a música mais alta
o som, o barulho, o murmúrio
não incomodam mais

Suspensa
no fio da vida
Acredito não poder parar
Ir, nem mais devagar
nem divagar....

Lembro de sonhos
Queria eu fossem lembranças
Sonho com lembranças.
Queria
Agora
Não cansar
do fio da vida



Agora ele tenso
me sustenta

Enquanto eu tensa
tento me sustentar.


09/07/2010 Débora

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Grande Mãe

Acabei de ler o livro A Grande Mãe e a Criança Divina. Fiquei emocionada no final com o trecho que reproduzo a seguir:

" Ela está deitada no seu berço e espera pela mãe. Ver o seu rosto é uma alegria. Ser levantada e segurada por ela é felicidade. Ficar deitada junto do seu seio, beber o leite quente ou ser embalada em seus braços é um deleite. Mais tarde, ela fica sentada no quadrado e brinca com seus animais de pano e com cubinhos de madeira. A mãe vem e a observa-isso é alegria. Ela a tira do quadrado e ri com ela- isto é felicidade. Ela a segura nos braços e canta-lhe uma canção-isso é prazer.
Mais tarde ainda, orgulhosa, ela leva suas bonecas para passear no parque ou corre com o patinete rua abaixo. Em seguida, chega em casa e conta para a mãe tudo o que de excitante ela experimentou-isso é alegria. A mãe lhe diz que está orgulhosa com sua menina ou com seu menino- isso é felicidade. Ela conta uma bonita história de ninar -isso é prazer."

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dorme menina


Dorme menina

Enquanto desfaço a teia da razão

Não percas a paciência

Guarde minhas noites e meu sono

Nos teus sonhos faça de mim brinquedo

Dos teus tesouros me faça segredo

de um vermelho verde ,ainda com medo de partir



Dorme menina

Enquanto embalo livre meu desejo

Recolho meu choro bobo de felicidade

E faço a mulher acordar

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Inquietação

Hoje comecei finalmente o curso de inglês por tanto tempo adiado, tentei escapar estudando alemão, mas acabei chegando a brilhante conclusão que não iria ter com que usá-lo. Fiz uma aula experimental no Brasas e confesso que me segurei por várias vezes pra não cair na gargalhada diante do patético método 'repita até cansar', mas como quem está na chuva é pra se molhar, lá fui eu repetindo tudo como um papagaio vesgo. Que saudades de Frau Helga, das declinações do alemão e dos colegas de curso. Creio que o meu maior incentivo para o curso de inglês será terminá-lo logo pra voltar ao meu velho e bom curso na Sociedade Germânia e finalmente aprender a língua dos grandes pensadores da humanidade, afinal de contas a língua é o que estrutura o pensamento e como tal não custa tentar...
Mas voltando a minha inquietação antes que ela mesma me disvirtue da minha débil tentativa de falar sobre ela, quero tentar traduzir o que se passa em minha mente. Tenho andando surpreendentemente calma nos últimos dias, paciente e bem ciente do que se passa dentro e fora de mim, mas hoje a minha excepcional acumpunturista decifrou o que tem tomado conta de mim: está com a mente agitada?- perguntou ela na sua calma habitual
O que me incomodava de maneira terrivelmente sutil se revelou diante de uma boba com cara de boba; ali estava a questão. De onde vem isto?! Aonde mora a minha irrefletida inquietação que me faz pensar compulsivamente enquanto automaticamente entoo um assobio despretencioso? Roubaram o freio da minha cabeça e quiçá a embreagem também, já que mudo de marcha e assunto sem a menor cerimônia. As vezes sinto que estou presa aqui dentro e que ninguém nunca entrará e que eu nunca consiguirei sair e revelar a alguém o que de fato sou, mas quem ou o que sou? Eterna questão amoral, atemporal e atormentadamente sã. Não sei de quantas nuvens sou feita, mas sei que são muitas, umas de algodão, doces e breves , outras de trovoada que me fazem desabar pelo ar. Não quero imitar a luz apenas desjo encontar algo breve que me permita perceber o que vislumbre um pouco de verdade. Iluminar minha própria escuridão, minhas dúvidas e até mesmo a impáfia da minha inconsequente verdade. Enquanto não encontro a verdade e sigo sua perniciosa miragem, me perco todos os dias em torno desta mesma inquitação, que corroendo pelas beiradas a minha vontade vai minando o meu desejo pelo novo , que em tão pouco tempo, antes mesmo de existir, se torna velho e gasto, enfim só mais uma coisa boba que não motiva o menor interesse.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ainda Dói

Há um misto de raiva e saudade
Que me enfurece
Me confunde
Me entorpece.
En tris teço

Há um misto de dor e desejo
Que me espanca a alma

Cruel a tua boca foi
que calou antes da minha silenciar
Enquanto isto, meu sangue jorra
lavando a ferida aberta
Minha pele viva
Minha carne viva
Trêmula tentando esquecer

sábado, 16 de janeiro de 2010

Perdida

De tanto mar fiz de mim oceano pras tuas paixões
de tanto amar fiz de mim deserto pra tua sombra

Depois de tudo, não resta palavra, não resta consolo
E a vergonha se esvai antes mesmo que a tristeza chegue

O tempo perdido ficou num lugar que não conheço
mas que um dia chamei de meu

A verdade pungente, que antes descansara dentro de mim
agora pinica minha pele,
e a todo momento me tortura
lentamente
como se nunca fosse findar

Débora

A mulher e o seu segredo

Uma mulher é feita de desejos, mas sobretudo de segredos que escondem estes desejos
Guardados a sete chaves e prontos para serem revelados a qualquer momento
Uma mulher é feita de solitude, que breve lhe atinge a alma e ensina um pouco sobre o que seria viver
E faz-lhe esquecer, apenas por um instante, das incertezas que lhe atingem o peito, os pés e as mãos frias
Uma mulher é um mistério que em vão tentamos sossegar, que em vão tentamos soletrar
E antes que a dúvida persista se disfaz em pleno ar


Débora.

Estrelas

Enquanto torço para que o dia acabe
O tempo sorri torto e zomba da minha inquietude
O vento pára, a luz se apaga
Estrelas se acendem no meu coração
E a verdade lateja incessante
Brilho de saudade de um tempo que quis que não voltasse
E agora, sorrateiro, o desejo me ilude
convencendo a mim, tão segura e tempestuosa
De que tudo não era verdade

Débora

E Tu Pisavas nos Astros Distraída

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão


Orestes Barbosa