quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ainda Dói

Há um misto de raiva e saudade
Que me enfurece
Me confunde
Me entorpece.
En tris teço

Há um misto de dor e desejo
Que me espanca a alma

Cruel a tua boca foi
que calou antes da minha silenciar
Enquanto isto, meu sangue jorra
lavando a ferida aberta
Minha pele viva
Minha carne viva
Trêmula tentando esquecer

sábado, 16 de janeiro de 2010

Perdida

De tanto mar fiz de mim oceano pras tuas paixões
de tanto amar fiz de mim deserto pra tua sombra

Depois de tudo, não resta palavra, não resta consolo
E a vergonha se esvai antes mesmo que a tristeza chegue

O tempo perdido ficou num lugar que não conheço
mas que um dia chamei de meu

A verdade pungente, que antes descansara dentro de mim
agora pinica minha pele,
e a todo momento me tortura
lentamente
como se nunca fosse findar

Débora

A mulher e o seu segredo

Uma mulher é feita de desejos, mas sobretudo de segredos que escondem estes desejos
Guardados a sete chaves e prontos para serem revelados a qualquer momento
Uma mulher é feita de solitude, que breve lhe atinge a alma e ensina um pouco sobre o que seria viver
E faz-lhe esquecer, apenas por um instante, das incertezas que lhe atingem o peito, os pés e as mãos frias
Uma mulher é um mistério que em vão tentamos sossegar, que em vão tentamos soletrar
E antes que a dúvida persista se disfaz em pleno ar


Débora.

Estrelas

Enquanto torço para que o dia acabe
O tempo sorri torto e zomba da minha inquietude
O vento pára, a luz se apaga
Estrelas se acendem no meu coração
E a verdade lateja incessante
Brilho de saudade de um tempo que quis que não voltasse
E agora, sorrateiro, o desejo me ilude
convencendo a mim, tão segura e tempestuosa
De que tudo não era verdade

Débora

E Tu Pisavas nos Astros Distraída

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão


Orestes Barbosa