domingo, 1 de julho de 2012

A Impossibilidade do Amor

               Acho que ouvi muitas estórias de princesas e príncipes encantados quando era pequena. Talvez tenha crescido com a terrível expectativa de que um dia encontraria com este príncipe, que teria amor eterno para me dar. Que além de me amar também iria me proteger, dar boas gargalhadas  comigo nas tardes de inverno e nas  de verão também. Ele seria perfeito e não me frustraria como na vida real.
               Bem não preciso nem dizer que alguém se enganou. Descobri depois de 'velha' que as histórias de verdade começam onde os contos de fadas terminam. Quando eu escutava 'e viveram felizes para sempre' deveria ter desconfiado de tamanha perfeição, mas era uma criança e a desconfiança ainda era pequena como eu.
              Hoje sei que o 'felizes para sempre' não existe e se existisse talvez fosse uma eterna chatice. A vida é bem mais complexa e nós também. Gostamos da dinâmica, do movimento, das surpresas que não estão contidas na perfeição. Dos amores proibidos, platônicos, antagônicos. Gostamos de complicar, especialmente nós mulheres que carregamos  a culpa cristã pela perda do paraíso. E vivemos correndo atrás deste paraíso perdido incessantemente, desperdiçamos este pequeno instante mágico de existência tentando atingir o que só existe em nosso imaginário infantil.
             Ninguém nos conta que não vai ser fácil e que não há problema algum em não ser amado. Sim, é importante ser amado, mas profundamente  mesmo, isto só deve acontecer  por uma ou duas vezes e olhe lá. Esta é a realidade.
             Já o amor romântico parece mais com duas umas pílulas azuis, uma se compra na farmácia , a outra tem vários apelidos e deixa as pessoas mais 'amorosas' e figura nas haves; são os três uma invenção sintética  para aliviar a inviabilidade de existir sem dor, ausência ou falta. Então acreditamos neste modelo romântico criado em uma época distante e ficamos tentando reproduzi-lo em um mundo em que ele não cabe mais. Este 'amor' limita, machuca  e ofende; não nos torna melhores, maiores, mais generosos e completos. Nos faz abrir mão de tantas coisas que no final das contas percebo que o amor, esta entidade quase humana  não cresceu e  vingou, mas mesmo assim , românticamente inebriados insistimos em persegui-lo.

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