sábado, 11 de julho de 2009

Encontros e Desencontros



Já é madrugada, mas resisto ao sono, afinal não há hora marcada para a inspiração; ela simplesmente brota , como um bebê que nasce quando está pronto ou quando bem entende, sei lá! Comigo é assim , um dia quero escrever feito uma louca, como se devorasse o papel, no outro quero o meu piano desafinado como quem precisa de água no deserto.
Para vencer o sono, como todas as besteiras lights e diets que encontro pela frente. Ligo a TV, e lá , revirando os canais, encontro um dos filmes que nos últimos tempos me marcou pela sutileza. Encontros e Desencontros de Sofia Coppola.
O tema é de uma simplicidade.... revestida com a pretensão natural a qualquer um que tivesse herdado o dom de ninguém menos que um Francis F. Coppola; porém na essência traz a marca da sensibilidade. Revejo as cenas finais, que creio serem as melhores para quem já sabe a estória; nelas percebo a intensidade do sentimento daquela jovem e daquele homem de meia idade, ambos desfrutando de sua própria solidão, ela preterida pelo namorado em relação ao trabalho, que em Tóquio estava para realizar, ele estarrecido por sua própria vida: uma carreira decadente de ator e uma esposa insensível há milhares de quilômetros de distância(em todos os sentidos).
A delicadeza das cenas e o sentimento que transborda, apesar de contido por ambos, determinam nossa imaginação a supor a intensidade do encontro que ali se esboça. Não há nenhuma cena de beijos escaldantes ou sexo feroz, apenas um homem e uma mulher, que na intensidade do olhar e na implícita impossibilidade daquele encontro, que, apesar de real não concretizado, nos leva a considerar e repensar o que seria de fato um encontro: toda a inspiração que ele nos proporciona ou o quanto nossas roupas estão molhadas depois do contato físico?
A cena final coroa toda a atmosfera de desejo que se insinua durante o filme : depois de uma despedida sem sal, num rompante que vence toda a atmosfera contida da capital do Japão, o nosso mocinho busca por aquela jovem; num lugar comum, numa calçada qualquer de Tóquio, os dois, protagonizam o que, para mim, é uma das mais românticas cenas do cinema contemporâneo. A emoção invade a tela, não há palavras desnecessárias, nem carícias exageradas, apenas um longo e terno abraço e finalmente o tão esperado beijo, primeiro e último. O beijo sela o encontro e enquanto se afastam , os olhos continuam a se beijar, no que é acima de tudo revestido de uma ternura sem tamanho. Ela , emocionada, revela sua tímida alegria, que trás em si ao mesmo tempo a tristeza da despedida; ele, não esconde a satisfação de ter-lhe confirmado aquele maravilhoso e intenso encontro, a olha de longe, com um sorriso largo, que provavelmente há muito não o mostrava tão feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário